Leitura e interpretação de texto

  Outro presente para a senhora
                - Mãe, taqui seus chocolates!
              - Que chocolates, meu anjo?
              - A senhora não sabe que, no Dia das Mães, dê chocolate pra ela? Comprei um pacotão divino-maravilhoso-fora-de-série, pra senhora. Tem bombons, tabletts, figurinhas, pastilhas, drágeas... um negócio, mãe! [...]
             - Alfredinho, o médico me proibiu de comer chocolate.
            - E daí? Esquece o médico. Não é Dia dos Médicos, é Dia das Mães, dia da senhora. Quando é que as mulheres vão se emancipar da tutela dos homens?
            - E você não é homem,  criatura? Você quer que eu seja independente comendo chocolate que você faz questão de me dar?
                -Fico triste com a senhora.
                - Fique não, querido. Vamos fazer uma coisa. Dê esse pacote tão lindo pra sua namorada.
                - A Geogina? A Georgina não é casada nem mãe solteira, como é que eu vou dar presente a ela no Dia das Mães. Pega mal.
                - Toda namorada merece ganhar presentes em qualquer dia do ano.
                - Não posso dar chocolates a Georgina.
                - Não pode por quê?
                - Engorda.
                -Ah, muito bonito. Então a Georgina não pode engordar, e eu, que sou mãe do namorado dela, posso,  né?
                -Não é nada disso, mãe. Também não quero que a senhora engorde, mas se engordar, problemas do papai.
                - O problema é meu antes de mais ninguém, ouviu? Ou você não acha mais que a mulher deve resolver por si mesma  o que lhe convém ou não convém?
                -Mas chocolate, uma coisa à-toa... Que importância tem isso? [...]
                -É uma tentação, mas eu resisto.
                -Eu ajudo a destruir o que tá aí dentro, mãe. [...]
                -Nãããããão. Leve pra Georgina, já disse.
                -Já vi tudo. A senhora quer ter uma nora de barrigona estufada de tanto comer chocolate, só pra ter o gosto de mostrar que a sogra dela é mais leve que manequim!
                -Bandido, some da minha frente com essa porcaria, que eu não sou mais sua mãe!

  (Carlos Drummond de Andrade. Poesia e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1988.)

 ENTENDIMENTO DO TEXTO

1. O texto lido é um diálogo. Qual a pontuação que marca o diálogo?                     
2. No diálogo aparecem muitas palavras da linguagem popular.  Destaque três e explique por que aparecem tantas palavras com esse tipo de linguagem nesse texto.                                
3. Qual o tema da conversa entre a mulher e seu filho?  
4. Diante da recusa da mãe, que argumento o rapaz usa para tentar convencê-la a aceitar os chocolates e comê-los? 
5. Em certo momento do diálogo, o rapaz diz: “Eu ajudo a destruir o que tá aí dentro, mãe”.  O que ele quis dizer com isso?   
           6. Quando alguém fala ou faz alguma coisa procurando obter um resultado não muito  evidente,       costuma-se dizer que essa pessoa está com  “segundas intenções”. No modo de entender do rapaz, a mãe dele estava com “segundas intenções”? Justifique. 

      

  


Um comentário:

  1. ese texto dooo choocoolate foi o texto melhor que ja liir ee Goostei Muito Iinteresante e Leegaal ((:

    ResponderExcluir